domingo, 4 de outubro de 2009

Boa notícia!

Aqui em Itatiba tem um ribeirão que corta praticamente a cidade toda, chamado Ribeirão Jacaré. Os mais antigos dizem que, como em todos os outros rios, era super comum ver gente nadando e pescando por ali, antes de surgirem as primeiras indústrias. Em Itatiba tem muita indústria têxtil e então, conforme elas foram se instalando, as tinturarias vieram atrás. Pronto, faço aqui um mea culpa: tinturaria é o que há se o tema em questão for poluir e colorir água! Apesar de eu depender completamente do setor têxtil, tenho total consciência de que uma tinturaria industrial não é exatamente o que a gente pode chamar de "instituição ecológicamente correta"!

Só pra ter uma idéia, o Ribeirão Jacaré a cada dia amanhecia de uma cor. Roxo, marrom, verde escuro, preto... Isso sem contar na quantidade altíssima de sal (é, NaCl, sal de cozinha, mesmo, só que sem iodo) que é usado na hidrólise do corante na maioria dos tingimentos, ou, melhorando a colocação, nos tingimentos mais comuns que são o Esgotamento Reativo e o Esgotamento Direto. E o NaCl mata todo e qualquer tipo de microorganismo que existe na água! Não é à toa que já existem tratamentos pra piscina onde o cloro deu lugar ao NaCl! Mas, repara no começo do meu parágrafo: eu uso a palavra "amanhecia", em vez de "amanhece".

Nós devemos ao J.A.P.P.A (Jacaré Para Preservação Ambiental) um agradecimento especial, pois isso quase não acontece mais. Os caras começaram a pegar pesado na fiscalização das ETE's das tinturarias daqui, já que elas frequentemente descartavam o efluente - teoricamente - tratado no pobre riozinho, e exigiram investimentos pra melhorar os sistemas de tratamento, sistemas que descolorissem a água efetivamente, sem ser necessário mascarar ou alterar as análises. Some essa fiscalização toda com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto de Itatiba, pela SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que tem feito com que mais da metade do esgoto doméstico coletado em Itatiba seja encaminhado ao tratamento, em vez de despejado diretamente no leito do rio, que a conclusão fica meio óbvia... O ribeirão está começando a se recuperar!

Hoje de manhã eu fui caminhar com a Noah, e vi dois garotinhos pescando no Jacaré! Aquilo foi inacreditável! Eu até já tinha desistido do sonho de ver com meus próprios olhos uma cena assim naquele ribeirão, e já havia me conformado de que ver pessoas nadando e pescando ali era uma imagem que ficaria guardada só na memória dos meus pais. E sabe o que foi mais impressionante? No samburá dos meninos tinha peixe! Um tambaqui pequenininho, um cará e um outro peixe que o meu pai disse ser uma piava.

Na verdade, o papai já havia me falado que outro dia viu uma garça caçando ali, e que na hora que ele passou ela conseguiu pegar um Lambari mas, de tão pequeno que o bichinho era, ela não conseguiu segurar e ele fugiu. Inclusive essa Garça estava hoje no mesmo lugar que o meu pai a encontrou naquele dia.

Fiquei feliz por saber que ainda existem pessoas sérias e comprometidas com o meio ambiente, que correm atrás do que está errado até que o errado se torne certo. E, também, porque esse é mais um exemplo de que nós, Químicos, rotulados sempre de aberrações ecológicas do universo, não servimos apenas pra inventar produtos capazes de destruir todo o meio ambiente. A gente também sabe despoluir! A bola da vez é consertar o estrago causado por séculos de produções desenfreadas e inconsequentes.

E então quem sabe, um dia, eu poderei levar meu filho e sobrinhos pra pescar no Ribeirão Jacaré, e contar, com orgulho, que assisti ao processo de despoluição das águas, do mesmo jeito que os meus pais e minhas avós contam, hoje, as histórias de como era o riozinho no tempo deles?!

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