sábado, 14 de novembro de 2009

O noivado do meu melhor primo

Eu acabei de chegar em casa e continuo com as bochechas vermelhas de tanto chorar. Resolvi escrever aqui, para ver se consigo transmitir pelo menos um pouco da calmaria que estou sentindo.
A gente tem uma história bacana, e é mais ou menos assim: o Fernando morava em SP, eu em Itatiba, e ele vinha pra cá nos fins de semana. Na férias eu ia pra lá, passar alguns dias no bairro do Mandaqui. Fazíamos contagem regressiva pra saber quanto tempo faltava pra nos vermos de novo, e gastávamos horrores com telefonemas que duravam eternidades quando estávamos longe. Ele dormia aqui em casa, e a gente passava a maior parte da noite conversando, fazendo guerra de almofadas ou jogando video game.
Pentelhamos o Felipe com um jabuti inofensivo. Comemos pastel de carne em dia santo. Empinamos pipa. Jogamos bola. Demos banho naqueles cachorros malucos da Tia Izabel, e também fomos co-proprietários da Nala, uma Basset, que um dia fugiu e nunca mais voltou. Ganhamos vários pintinhos amarelos, que sempre morriam no dia seguinte. Passamos incontáveis tardes na piscina. Conversamos pelo ICQ! Disputamos várias e várias partidas de Ping-Pong. Corremos dos gansos que corriam atrás da gente lá no sítio da Tia Elena. E dividimos uma infância inteira.
Depois eles se mudaram pra Itatiba, e todo fim-de-semana a gente passava junto. Eu estava lá quando ele apresentou a primeira namorada para os pais, e fiquei segurando vela na sala, assistindo filme com eles. Eu estava lá quando ele tirou carta, e a gente saiu pra dar uma volta de carro. Eu estava lá. Nós estávamos juntos, sempre.
Aí ele passou na faculdade, eu também comecei a minha, depois vieram os trabalhos, os compromissos, e aquela coisa boa de adolescente foi ficando pra trás. Fizemos amigos novos, nos distanciamos um tanto. O Fer terminou com a primeira namorada, arranjou a segunda, terminou com ela também, e foi então que apareceu a Grazi, trazendo o Fernando de volta. Depois que começou a namorar com ela, ele voltou a frequentar as festas de família, e como isso foi bom!
Tem quase dois meses que eu recebi a notícia de que eles estão grávidos e vão casar. Semana passada eu recebi o convite oficial pra ser madrinha. Hoje foi o noivado. Nunca consigo conter as lágrimas e, claro, hoje não foi diferente; eu realmente não consegui me conter quando ele fez o anuncio oficial dos padrinhos: "O meu irmão Felipe, e a minha prima Ana Elisa, que cresceu comigo". Ah, gente, como aquilo foi lindo! São tantas lembranças boas que fica impossível não lembrar de tudo, nessas ocasiões especiais. Quando nós nos abraçamos, a única coisa que eu consegui dizer foi um "Você sabe que eu te amo, não sabe?", com a voz trêmula, e ele também só conseguiu responder um "Sim" embargado.
A casamento vai ser no dia 23/01, e a festa promete. Só acho que vou precisar levar um lençol comigo pro altar, pra dar conta de enxugar tudo o que eu vou chorar. Ou será que posso usar o véu da noiva?

Um comentário:

  1. Nao, véu da noiva nao! Nao e nao! Hehehe...

    Parabéns Ana... a vida tem dessas coisas, e nada como um casamento e uma nova vida a chegar pra trazer alegria pra família!

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